Só de ler o título já dá pra imaginar o pleonasmo. Até porque qualquer situação erótica que envolva um anão já é uma fantasia, se for de jardim então, bota fantasia nisso. Mas Carolina não ligava para os estereótipos e queria achar um homem igualzinho ao anão do jardim que a sua mãe cultivava com tanto carinho. A mãe cultivava o jardim, não o anão, nesse caso a fantasia seria pior ainda, porque envolveria Carolina, sua mãe e um anão de jardim.
Carol passava pelo anãozinho todo santo dia, desde que a sua mãe havia comprado a relíquia em um bazar organizado pelo sobrinho de uma senhora que morreu deixando além do anãozinho, sete gatos e dois cachorros. A mãe de Carolina não ficou com os cachorros, muito menos com os gatos, mas levou o anãozinho pra casa embrulhado em papel madeira. Chegou em casa, ficou 10 minutos pensando no lugar ideal, desembrulhou o anãozinho e colocou-o ao lado de um canteiro repleto de margaridas. Carol adorava margaridas e imaginava que todos os dias o anão a esperava em casa com as flores que ela tanto amava.
As vezes, mas só as vezes, para não parecer maluca, Carolina ia até o canto do jardim e sentava para sentir os cheiros das margaridas. Aproveitava que estava alí pertinho do homenzinho de baixa estatura para desabafar um pouco da sua vida. Falava da faculdade, do estágio em um famoso escritório de advocacia e falava até dos meninos que ela estava afim. O anão era perfeito, escutava tudo e não dizia nada, um ótimo ouvinte e, o melhor, não tinha ciúmes de Carolina. Era praticamente um psicólogo, mas não cobrava a fortuna que era a consulta do Dr. Marcelo.
O anãozinho escutava ela como nenhum homem havia escutado. Não tinha ciúmes. E todo dia recebia Carolina com margaridas, a flor preferida dela. Se diz o ditado que não existe homem ideal, Carol havia acabado de encontrar o dela. E ele cabia dentro da bolsa. Foi isso que aconteceu, num belo dia a noite, Carolina roubou sorrateiramente o anão de sua mãe. Desde então os vizinhos encontram cartazes pendurados por todo o bairro com a foto do bibelô, Carolina anda feliz e saltitante, com um pouco de dor nas costas, por causa da bolsa, mas feliz e o Dr. Marcelo ganhou mais um cliente, a mãe de Carolina.