domingo, 31 de maio de 2009

Fantasias eróticas com um anão de jardim.

Só de ler o título já dá pra imaginar o pleonasmo. Até porque qualquer situação erótica que envolva um anão já é uma fantasia, se for de jardim então, bota fantasia nisso. Mas Carolina não ligava para os estereótipos e queria achar um homem igualzinho ao anão do jardim que a sua mãe cultivava com tanto carinho. A mãe cultivava o jardim, não o anão, nesse caso a fantasia seria pior ainda, porque envolveria Carolina, sua mãe e um anão de jardim.


Carol passava pelo anãozinho todo santo dia, desde que a sua mãe havia comprado a relíquia em um bazar organizado pelo sobrinho de uma senhora que morreu deixando além do anãozinho, sete gatos e dois cachorros. A mãe de Carolina não ficou com os cachorros, muito menos com os gatos, mas levou o anãozinho pra casa embrulhado em papel madeira. Chegou em casa, ficou 10 minutos pensando no lugar ideal, desembrulhou o anãozinho e colocou-o ao lado de um canteiro repleto de margaridas. Carol adorava margaridas e imaginava que todos os dias o anão a esperava em casa com as flores que ela tanto amava.


As vezes, mas só as vezes, para não parecer maluca, Carolina ia até o canto do jardim e sentava para sentir os cheiros das margaridas. Aproveitava que estava alí pertinho do homenzinho de baixa estatura para desabafar um pouco da sua vida. Falava da faculdade, do estágio em um famoso escritório de advocacia e falava até dos meninos que ela estava afim. O anão era perfeito, escutava tudo e não dizia nada, um ótimo ouvinte e, o melhor, não tinha ciúmes de Carolina. Era praticamente um psicólogo, mas não cobrava a fortuna que era a consulta do Dr. Marcelo.


O anãozinho escutava ela como nenhum homem havia escutado. Não tinha ciúmes. E todo dia recebia Carolina com margaridas, a flor preferida dela. Se diz o ditado que não existe homem ideal, Carol havia acabado de encontrar o dela. E ele cabia dentro da bolsa. Foi isso que aconteceu, num belo dia a noite, Carolina roubou sorrateiramente o anão de sua mãe. Desde então os vizinhos encontram cartazes pendurados por todo o bairro com a foto do bibelô, Carolina anda feliz e saltitante, com um pouco de dor nas costas, por causa da bolsa, mas feliz e o Dr. Marcelo ganhou mais um cliente, a mãe de Carolina.





quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Janaynna amava Frederico, que amava o trabalho, que não ama ninguém.

Avião ou carro? Perguntou a namorada ansiosa olhando hotéis na internet. Afinal, eram as primeiras férias dos dois juntos. Mais especificamente, eram as primeiras férias que ele tirava em sua vida. Fred, como os amigos chamavam o famoso Frederico, amava tanto trabalhar, que em determinadas épocas da sua juventude, pensou em casar com o trabalho. Casava com o trabalho e tudo resolvido, a lua de mel seria na empresa e, sem dúvida, as bodas de prata viriam com uma promoção. Mas desistiu, ou pelo menos achou que havia desistido, dessa idéia duas semanas depois que conheceu Janaynna. Mesmo após ela ter escrito o seu primeiro bilhete de amor, que ostentava uma y e duas letras n juntinhas em seu singelo nome. Mas quem era Frederico para falar de nomes? O dele, herança de um avô italiano, de quem não herdou o passaporte, apenas o nome, tinha muita personalidade, mas não era nenhuma idéia brilhante.

Praia ou montanha? Interrogou a doce Janaynna. Frederico, ainda muito distante, pensando no trabalho, é claro, deixou a menina sem uma resposta. Olhava para o vazio, parecia que tinha sido traído. Janaynna, que tinha MBA em Frederico, e como qualquer pessoa que tem MBA não entendia de nada, continuou o interrogatório pelas férias, sem perceber que a única coisa que Frederico queria, era voltar ao trabalho. Para Frederico, a relação que ele tinha com Janaynna era praticamente trair o seu casamento com o trabalho. E Frederico, apesar da fama de garanhão, sempre foi muito fiel. Por isso o olhar distante, o olhar vazio. Por isso que a vida dele não fazia sentido fora do escritório. Mas uma relação dessa forma com o trabalho seria inaceitável. Afinal, trabalho é substantivo masculino, e Frederico era espada, rapá.

Camping ou hotel? Disse mais uma vez Janaynna, dessa vez meio impaciente, já percebendo que algo estava errado. Fred, retrucou com um suave “o que você preferir, meu bem”. Neste momento, nesta fração de segundo, Frederico percebeu que o amor que tinha pelo trabalho era platônico. Inatingível. Não por questões de sexualidade, muito menos porque o amor poderia não ser correspondido (afinal, uma promoção seria melhor do que um carinho). Mas porque, com Janaynna, ele poderia estar durante o ano todo e para o resto da sua vida. Já com o trabalho, ele teria que tirar os seus trinta dias de férias e, um dia, como quem é trocado por alguém mais novo, teria que se aposentar, abandonando o seu amor pra sempre. Foi aí que Frederico se decidiu por Janaynna. E ela perguntou: “Dinheiro ou cartão?”, Frederico não demorou a responder: “Férias”, mas ficou na dúvida se falava do trabalho ou de Janaynna.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O mundo explicado através da química.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

um ano, 365 dias e muita coisa para contar.

Um ano passa rápido demais. Um ano passa devagar demais. Parece um minuto quando você lembra das coisas boas que aconteceram ou pode parecer uma eternidade quando você lembra de alguém que deixou pra trás. Um ano, como já disse um comercial de televisão, é quanto dura à vida de um camundongo, e, mesmo que a sua dure um pouco mais que isso, um ano pode mudar ela. Um ano é tempo suficiente para a banda Calipso lançar um novo cd, na verdade, mais que suficiente. Porém, ao que parece, não é nem 10% do tempo necessário para o Guns N' Roses colocar um trabalho novo na rua. Um ano é o tempo ideal para ter um carnaval de coisas de que se arrepender e apenas uma semana santa para perdoar tudo isso. Um ano poderia ser apenas um ano se eu tivesse ficado no Brasil. Poderia ter sido ótimo, Poderia ter sido péssimo. Mas o que nunca poderia ter sido, era um ano tão atípico como esse foi. Esses últimos 365 dias da minha vida não foram os piores, não foram os melhores, mas com toda certeza do mundo foram os mais diferentes. Bom, agora estou voltando, e se você quiser saber o tanto de história que cabem em um ano, me liga.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Como se divertir em 15 minutos.

Ópera do Mallandro


Via http://tarrask.wordpress.com/

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Uma boa risada no meio da tarde

sábado, 19 de abril de 2008

Se te dou uma rosa parece um gesto um pouco gay. Então, o melhor é te dar um jardim inteiro.

Oi. Meu nome é Gaudí. Escrevo essas linhas, muito mal traçadas, postumamente. Mal traçadas porque eu sou um arquiteto, quer dizer, eu era um arquiteto. E me dou melhor com os desenhos do que com as letras, mas não custa tentar. Essa história poderia ser digna de Almodóvar, na verdade eu não entendo porque o Almodóvar ainda não filmou nada sobre mim, um absurdo.

Passei boa parte da minha vida em Barcelona, onde construí além da sagrada família, uma vida social bem movimentada. Se você não sabe, eu criei os mosaicos, isso mesmo, aquelas cerâmicas quebradas e coladas como se fossem um quebra-cabeça. Isso que todo mundo faz hoje como artesanato ou para dar de presente quando ta sem grana, fui eu que criei. E na verdade eu criei porque tava sem grana. Então alguém me chamou para fazer um prédio, uma dessas famílias ricas e brega. Já tinha bebido metade do dinheiro do projeto e feito uma festa nas obras onde quase não sobrou uma cerâmica inteira. Tava meio bêbado e o Dali me disse, porque você não cola tudo. Todos rimos muito na hora, mas depois eu resolvi colar. E não é que deu certo.

Daí pra frente foi projeto atrás de projeto. Fazendo festas e mais festas nas obras, no que ficou conhecido como quebra da cerâmica, deixava todo mundo quebrado. As festas eram alucinantes, regadas a absinto e muito amor. Os hippies acham que inventaram o amor livre, mas se eles tivessem conhecido o Güell, como eu conheci, saberiam que fomos nós os inventores. E esse relacionamento com o Güell foi muito complicado. A sociedade era muito machista e nunca aceitariam o nosso amor. Na verdade nem eu aceitei. Eu nunca casei porque só tive um amor na vida, mas o Güell não, aquele canalha vivia cada dia com uma mulher diferente.

Foi por isso que me afundei nas drogas, na bebida e nas obras esquisitas. Quando você gosta de alguém, normalmente você dá uma rosa, ou um buquê. Mas eu resolvi abalar, dei logo um jardim inteiro. Ou melhor, um parque. Coloquei o nome dele e tudo. Mas o desgraçado não tava nem aí. Eu ia me afundando cada vez mais, me perdendo. Até que encontrei Jesus, na verdade, ele que me encontrou. E foi para ele que trabalhei o resto da minha vida, construindo um verdadeiro templo. Esqueci os mosaicos e tudo que me lembrava aquele calhorda. O nome que deram ao local me fez pensar sobre o que eu nunca tive. Nunca tive uma família, como ela podia ser sagrada. Então eu fui ficando deprimido, quase não saia da igreja.

Em um belo dia de sol resolvi acabar com o sofrimento. Já tinha marcado meu nome na história. Construído grandes obras e inventado um verdadeiro modelo. Não existia nada que eu pudesse fazer por aqui que não fosse sofrer. Resolvi me jogar na frente do trem, mas como as linhas férreas estavam paralisadas graças as obras do AVE, preferi as linhas de bonde mesmo. E juro, que esse foi um dos maiores momentos de angustia da minha vida. Eu estava ali parado e o bonde vinha a 10 km/h. Dava tempo para fumar um cigarro e beber uma garrafa de absinto, mas tinha medo de desistir e esperei a meia hora necessária para o bonde chegar até mim. Eles disseram que eu fui acidentalmente morto por um bonde, mas, cá entre nós, quem morre acidentalmente atropelado por um bonde que anda a 10 km/h? isso é chamar de burro o cara que inventou essa cidade. Essa era uma parte da minha história que precisava ser dita. Escrevo essa carta para contar um pouco dos meus pesares e para pedir encarecidamente que acabem as obras da sagrada família. Porque ser incompetente para escrever uma morte tão absurda assim para mim eu até entendo, mas a sagrada família, peloamordedeus, eu deixei quase pronta.