quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Bunda de fora

Em uma época distante, e não de forma saudosista, não existiam tantas doenças psicológicas que acometiam as crianças. Hiper atividade e deficit de atenção eram apenas uma criança com o demônio no corpo ou preguiçosa demais para aprender. Hoje, ficou bonito dizer que tem isso, que tem aquilo. Pronto, ser doente ficou bonito.


Hoje ninguém é mais reprovado na escola, tirar onda com a cara de um amigo é cometer um crime e ser julgado inclusive pela mídia. Uma geração criada com muito leite com pêra, pouca pisa e nenhum senso crítico. Não que eu aprove ou incentive a pancadaria ou mesmo bullying, mas, na minha geração, funcionava para formar caráter.


Cada geração encontra o que faz bem para ela. O que ajuda. Um mundo de paz e harmonia, sem competitividade, até pode funcionar. Mas todo jogo de futebol ia terminar em zero a zero e, disso, ninguém gosta. Um mundo onde todo mundo pode usar uma desculpa como doença ia exigir muito mais cotas do que as que já temos. E pelo jeito, as cotas não fazem sucesso. Algo que é no mínimo irônico.


Essas doenças, transtornos, traços de caráter deveriam ser um estimulante para melhorar. Mas melhorar o que, né? Se o café vem na cama e a tarefa de casa é copiada da internet. Essas crianças vão terminar trocando os pais pelo google, faz sentido.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Não perca tempo lendo esse post

Roubaram o tempo e você vai prestar queixa.


O tempo ficou mais rápido. Passou voando. Esses são sintomas de uma síndrome que faz todo mundo reclamar aos 4 ventos ou, se preferir, nas muitas redes sociais. Roubaram o tempo. Deixaram a hora mais curta. O ano menor. Não, não, não. Esses continuam igualzinho aos da época que seu avô levava um lindo e pomposo relógio de algibeira, onde o tempo só parava porque ele esquecia de dar corda.


Então, o que mudou? Muita coisa, mas, na minha opinião, a principal delas foi a liberdade de reclamação. Lutou-se muito e com muito sentido para se ter liberdade de expressão, mas, hoje, o que vale é reclamar.


Reclamo pela chuva quando tem sol. Reclamo pelo sol quando tem chuva. Se venta muito, reclamo que estraga o cabelo. Se para de vetar, a reclamação do calor esquenta tudo nos trendtopics. Uma geração está sendo formada com a ideia de que reclamar resolve. E, as vezes, até que eles tem razão. Mas e o tempo? O tempo que se perde reclamando do telemarketing depois de passar duas horas perdendo tempo com eles. O tempo que se perde xigando o ex-namorado no twitter depois de ter perdido os melhores anos da vida com aquele canalha. Não foi o tempo que foi roubado, mas você que perdeu tempo reclamando sobre isso.


Afinal, ficou provado que quem reclama ganha mais, mas não se engane, quem reclama de mais, terminar perdendo. Pelo menos no que diz respeito ao tempo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O twitter é a igreja evangélica da internet.

Nada contra esta religião, afinal, quem sou eu, Judeu, para praticar algum tipo de discriminação contra qualquer credo ou raça? Mas o twitter virou uma Universal do Reino de Deus, com inúmeros discípulos gritando por todos os lados para “aceitarem o twitter”. Está em todo lugar, nas revistas, na internet, nas assinaturas de e-mails e até na sua mesa de bar: tem sempre alguém que pergunta espantado “Porque você ainda não tem twitter?”.


As semelhanças não param por aí. Tudo que um pastor fala no twitter é automaticamente replicado por filiais ao redor do mundo em instantes. Em 5 minutos, todos estão falando sobre a mesma coisa. Até os próximos 5 minutos. E se alguém quiser debater sobre a inutilidade da ferramenta, milhares lutarão até a morte, como verdadeiros fiéis, para garantir a integridade do passarinho santo. Mas sem idolatrar ninguém, é claro.


A internet tem muito a ver com religião. A prova disso é utilizar o termo evangelizador para os formadores de opinião que defendem uma marca na rede. Mas nada, absolutamente nada, até então, tinha uma estrutura tão bem pensada a ponto de construir uma rede pelos princípios de uma seita, ou melhor, de uma religião. Afinal, quem usa o twitter é chamado de seguidor.


Porém, para quem quer se aventurar fazendo comunicação nesta rede social tem que se conformar que não existe uma bíblia. Ainda que muitos profetas saiam dizendo por aí que entendem tudo de mídia social. Experimente, teste e veja o que o seus fiéis estão dispostos a replicar. Relevância é uma plavra mais importante do que o amém. Mas, no final disso tudo, o que me preocupa de verdade não é como você vai transformar o twitter na sua igreja evangélica. E sim, Jesus dessa religião ser o Ashton Kutcher (@APlusK).


@leoparnes - Redator da RGA Comunicação

domingo, 31 de maio de 2009

Fantasias eróticas com um anão de jardim.

Só de ler o título já dá pra imaginar o pleonasmo. Até porque qualquer situação erótica que envolva um anão já é uma fantasia, se for de jardim então, bota fantasia nisso. Mas Carolina não ligava para os estereótipos e queria achar um homem igualzinho ao anão do jardim que a sua mãe cultivava com tanto carinho. A mãe cultivava o jardim, não o anão, nesse caso a fantasia seria pior ainda, porque envolveria Carolina, sua mãe e um anão de jardim.


Carol passava pelo anãozinho todo santo dia, desde que a sua mãe havia comprado a relíquia em um bazar organizado pelo sobrinho de uma senhora que morreu deixando além do anãozinho, sete gatos e dois cachorros. A mãe de Carolina não ficou com os cachorros, muito menos com os gatos, mas levou o anãozinho pra casa embrulhado em papel madeira. Chegou em casa, ficou 10 minutos pensando no lugar ideal, desembrulhou o anãozinho e colocou-o ao lado de um canteiro repleto de margaridas. Carol adorava margaridas e imaginava que todos os dias o anão a esperava em casa com as flores que ela tanto amava.


As vezes, mas só as vezes, para não parecer maluca, Carolina ia até o canto do jardim e sentava para sentir os cheiros das margaridas. Aproveitava que estava alí pertinho do homenzinho de baixa estatura para desabafar um pouco da sua vida. Falava da faculdade, do estágio em um famoso escritório de advocacia e falava até dos meninos que ela estava afim. O anão era perfeito, escutava tudo e não dizia nada, um ótimo ouvinte e, o melhor, não tinha ciúmes de Carolina. Era praticamente um psicólogo, mas não cobrava a fortuna que era a consulta do Dr. Marcelo.


O anãozinho escutava ela como nenhum homem havia escutado. Não tinha ciúmes. E todo dia recebia Carolina com margaridas, a flor preferida dela. Se diz o ditado que não existe homem ideal, Carol havia acabado de encontrar o dela. E ele cabia dentro da bolsa. Foi isso que aconteceu, num belo dia a noite, Carolina roubou sorrateiramente o anão de sua mãe. Desde então os vizinhos encontram cartazes pendurados por todo o bairro com a foto do bibelô, Carolina anda feliz e saltitante, com um pouco de dor nas costas, por causa da bolsa, mas feliz e o Dr. Marcelo ganhou mais um cliente, a mãe de Carolina.





quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Janaynna amava Frederico, que amava o trabalho, que não ama ninguém.

Avião ou carro? Perguntou a namorada ansiosa olhando hotéis na internet. Afinal, eram as primeiras férias dos dois juntos. Mais especificamente, eram as primeiras férias que ele tirava em sua vida. Fred, como os amigos chamavam o famoso Frederico, amava tanto trabalhar, que em determinadas épocas da sua juventude, pensou em casar com o trabalho. Casava com o trabalho e tudo resolvido, a lua de mel seria na empresa e, sem dúvida, as bodas de prata viriam com uma promoção. Mas desistiu, ou pelo menos achou que havia desistido, dessa idéia duas semanas depois que conheceu Janaynna. Mesmo após ela ter escrito o seu primeiro bilhete de amor, que ostentava uma y e duas letras n juntinhas em seu singelo nome. Mas quem era Frederico para falar de nomes? O dele, herança de um avô italiano, de quem não herdou o passaporte, apenas o nome, tinha muita personalidade, mas não era nenhuma idéia brilhante.

Praia ou montanha? Interrogou a doce Janaynna. Frederico, ainda muito distante, pensando no trabalho, é claro, deixou a menina sem uma resposta. Olhava para o vazio, parecia que tinha sido traído. Janaynna, que tinha MBA em Frederico, e como qualquer pessoa que tem MBA não entendia de nada, continuou o interrogatório pelas férias, sem perceber que a única coisa que Frederico queria, era voltar ao trabalho. Para Frederico, a relação que ele tinha com Janaynna era praticamente trair o seu casamento com o trabalho. E Frederico, apesar da fama de garanhão, sempre foi muito fiel. Por isso o olhar distante, o olhar vazio. Por isso que a vida dele não fazia sentido fora do escritório. Mas uma relação dessa forma com o trabalho seria inaceitável. Afinal, trabalho é substantivo masculino, e Frederico era espada, rapá.

Camping ou hotel? Disse mais uma vez Janaynna, dessa vez meio impaciente, já percebendo que algo estava errado. Fred, retrucou com um suave “o que você preferir, meu bem”. Neste momento, nesta fração de segundo, Frederico percebeu que o amor que tinha pelo trabalho era platônico. Inatingível. Não por questões de sexualidade, muito menos porque o amor poderia não ser correspondido (afinal, uma promoção seria melhor do que um carinho). Mas porque, com Janaynna, ele poderia estar durante o ano todo e para o resto da sua vida. Já com o trabalho, ele teria que tirar os seus trinta dias de férias e, um dia, como quem é trocado por alguém mais novo, teria que se aposentar, abandonando o seu amor pra sempre. Foi aí que Frederico se decidiu por Janaynna. E ela perguntou: “Dinheiro ou cartão?”, Frederico não demorou a responder: “Férias”, mas ficou na dúvida se falava do trabalho ou de Janaynna.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

um ano, 365 dias e muita coisa para contar.

Um ano passa rápido demais. Um ano passa devagar demais. Parece um minuto quando você lembra das coisas boas que aconteceram ou pode parecer uma eternidade quando você lembra de alguém que deixou pra trás. Um ano, como já disse um comercial de televisão, é quanto dura à vida de um camundongo, e, mesmo que a sua dure um pouco mais que isso, um ano pode mudar ela. Um ano é tempo suficiente para a banda Calipso lançar um novo cd, na verdade, mais que suficiente. Porém, ao que parece, não é nem 10% do tempo necessário para o Guns N' Roses colocar um trabalho novo na rua. Um ano é o tempo ideal para ter um carnaval de coisas de que se arrepender e apenas uma semana santa para perdoar tudo isso. Um ano poderia ser apenas um ano se eu tivesse ficado no Brasil. Poderia ter sido ótimo, Poderia ter sido péssimo. Mas o que nunca poderia ter sido, era um ano tão atípico como esse foi. Esses últimos 365 dias da minha vida não foram os piores, não foram os melhores, mas com toda certeza do mundo foram os mais diferentes. Bom, agora estou voltando, e se você quiser saber o tanto de história que cabem em um ano, me liga.